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Capitulo Nove

domingo, 14 de agosto de 2011.

Cheguei ao meu quarto e fui direto tomar um banho, sem molhar o cabelo, é claro. Eu não queria estragar a minha escova!

Sai do banho e fui direto colocar um copo de sangue no micro-ondas.

Eu não deveria ficar tanto tempo sem sangue.

Deus, eu tinha estado fantasiando sobre como minhas presas poderiam se afundar no pescoço de dois humanos hoje. E em publico!

Tomei o sangue e me joguei na cama.

Dormir rápido e sem nenhum lobisomem aterrorizante me perseguindo dessa vez. Em compensação... eu sonhei com ele novamente. Marco ‘Delicia’, como diria Carol.

Só que dessa vez ele estava vestido com uma bermuda preta, uma camisa cinza e um tênis preto, seu andar gracioso, seu sorriso lindo. Seus olhos me olhavam com intensidade...

Então apareceu Diogo. Com seus olhos azuis escuros penetrantes, seu sorriso fácil, seu andar despreocupado e se vestia como a primeira vez que eu o vi. Calça de ginástica preta e larga, camisa sem mangas verde e tênis.

Olhei para mim mesma e eu usava um roupão!

Fala sério? Eu estava no meio do pátio da academia com dois deuses gregos em plena luz do dia de roupão?!

***

Quando acordei no domingo não queria me levantar da cama. Sentia-me como se algo tivesse atrapalhado um sonho bom, apesar de não lembrar-me com o que estava sonhando.

“She lives in a fairy tale
Somewhere too far for us to find
Forgotten the taste and smell
Of the world that she's left behind”

Espera ai.  Essa é a Hayley cantando?

Então eu entendi por que eu tinha acordado. Meu celular estava tocando.

Levantei-me da cama e fui caçá-lo no meio da minha bagunça.

Onde mesmo que eu tinha deixado ele? Ah, na bolsa que eu tinha saído no sábado.

Peguei o celular.

- Alô?

- Mel? – Carol disse.

- Oi, Carol.

- Mel, você esta bem?

- Estou, por quê?

- Sei lá, sua voz ta meio estranha.

- Ah, é que eu acabei de acordar.

- Hum... Olha eu e o pessoal vamos fazer um piquenique você não quer vir com a gente? Vai ser legal.

- Obrigado Carol, mas eu não vou não. Hoje eu vou treinar um pouco, sabe, magia e acho que também vou fazer alguns exercícios.

- Então esta bem, mas se você mudar de ideia nós estamos no jardim atrás do refeitório.

- Ok, se eu mudar de ideia eu vou.

- Tchau.

- Tchau.

Desliguei o celular e me joguei na cama de novo. Olhei a hora e já eram nove da manhã.

Fiquei na cama tentando convencer o meu corpo a abandonar o desanimo e ir treinar um pouco.

Depois de sabe Deus quanto tempo eu decidi levantar e tomar um banho.

Tomei um banho bem longo. Saí do banheiro, coloquei uma roupa de ginástica e um par de tênis. Enquanto eu penteava os cabelos, um copo de sangue esquentava no micro-ondas. Tomei o sangue e quando ia saindo passei os olhos pelo meu violão. Já fazia tanto tempo que eu não tocava então o peguei e saí do quarto indo direto para o ginásio.

Cheguei no ginásio e como eu tinha esperado estava vazio. Fui para a área de musculação e colocando meu violão cuidadosamente encostado na parede comecei a me alongar.

Após vinte minutos de alongamento fui para a esteira. Já tinha corrido mais de dez quilômetros quando decidi passar para o levantamento de peso. Trinta minutos levantando peso e eu ainda não estava cansada. Olhei para os colchonetes azuis no chão e resolvi fazer abdominais. Duas mil abdominais depois e eu finalmente estava cansada.

Levantei do colchonete e fui ao bebedouro do ginásio. Bebi dois copos d’água e voltei para os exercícios.

Ok, eu confesso que estava um caco, mas eu não ia desistir. Eu tinha que ganhar resistência e para isso eu tinha que superar os meus limites.

Peguei um par de luvas de boxe azuis - que ficava a disposição dos alunos no ginásio -, e fui para o saco de areia.

Não sei quanto tempo fiquei ali, dando socos no saco de areia. Mas eu sinceramente gostei. Nunca tinha treinados socos antes. Para falar a verdade eu nunca tinha dado um soco antes. O primeiro soco que eu dei o saco de areia fez um giro de 360° quase batendo na minha cabeça. Ainda bem que o teto do ginásio era alto e reforçado, por que se não fosse era adeus teto. Mas depois de quase levar uma sacada na cabeça e quase quebrar o pulso eu aprendi.

Já estava arfando quando eu parei de socar o saco de areia. Tirei as luvas e deitei em um dos colchonetes. Uns minutos depois já não estavam arfando tanto, então resolvi pegar o violão e tocar um pouco.

De repente me senti um pouco melodramática. A última vez que eu toquei eu estava com Daniel e Luiza. Eu sentia tanta falta do meu pai! E Luiza? Como eu sentia falta da minha amiga. Isabel e Carol eram boas amigas, mas nunca seriam como Luiza...

Comecei a tocar; as notas combinando entre si, formando uma melodia completamente nova, minha voz fluía acompanhando a nova composição.

Estava tão distraída com minha nova composição que só percebi que alguém tinha entrado no ginásio quando uma voz, baixa, ligeiramente rouca, muito sexy, disse:

- Pardon!

Virei-me para ver a fonte de tal voz e... arfei!

Era ele! Marco.

Ele estava vestido com uma calça de ginástica, preta e larga, uma regata branca e tênis. Básico e surpreendentemente perfeito.

Fiquei encarando-o feito uma lesa.

Mas hei alem do cara ser lindo, tem uma voz mega sexy com um sotaque francês!

Ele balançou a cabeça de um lado para o outro como se precisasse clareá-la.

- Desculpe. – ele disse.

Como se eu não falasse francês.

- Ah, relaxa! – eu disse tentando não babar.

Ele sorriu e eu quase desmaiei.

- Não queria atrapalhar. – ele disse.

- Não atrapalhou. – eu disse.

- Marco Sartre. – ele disse estendendo sua mão para mim.

- Melany Lisli. – eu disse apertando sua mão. Deus sua mão é tão macia.

Menos Melany, menos. Repreendi-me mentalmente.

Quando soltamos nossas mãos ele sentou-se no chão ao meu lado e disse:

- Sério, não queria atrapalhar mesmo, é só que não tem ninguém aqui domingo à essa hora, e eu gosto de treinar quando o ginásio está silencioso. – ele disse com um meio sorriso que o deixava mais charmoso ainda.

- Sério não atrapalhou, na verdade, acho que sou eu quem deve pedir desculpa. – eu disse sorrindo também.

- Bom então acho que estamos quites. – ele disse.

- Então acho que vou deixar você treinar e...

- Não precisa sair correndo. – ele disse me interrompendo. – Você chegou primeiro, tem todo direito de ficar.

- Mas você vem aqui há mais tempo... – eu disse.

- Não me importo em dividir. – ele sorriu.

- Então, ok. – eu disse sorrindo também.

Era impossível não sorri de volta.

- Então o que está achando da academia? – ele perguntou.

- Eu gosto daqui, mas ainda estou me acostumando.

- Você nunca freqüentou uma academia antes? – ele disse erguendo perfeitamente uma sobrancelha.

- Não, só algumas escolas humanas.

- Deve ter sido muito tedioso. – ele disse sorrindo.

- Você não sabe como. – eu disse.

- Na verdade sei.

- Você já estudou em escolas humanas?

- Sim, mas já faz muito tempo. – ele disse com os olhos distante como se visse algo muito longe.

Por alguns momentos pensei que ele havia se esquecido que eu estava ali. Então ele me olhou e disse sorrindo:

- Seu elemento é ar, certo?

- Sim, ar. O seu é...?

- Fogo.

Apropriado, pensei. O elemento mais forte para um cara que emana poder e força de todos os poros de seu perfeitamente lindo corpo.

- Deve ser incrível ter um elemento tão forte.

- É, mas com grandes poderes vêem grandes responsabilidades. – ele disse seriamente.

- Eu sei. – eu disse seria também.

- Você é muito poderosa, não é?

- É o que dizem. – eu disse desviando o olhar.

- Não gosta do seu elemento? – ele perguntou entendendo mal minha reação.

- Não é isso, é só que todo mundo fica dizendo o quanto eu sou poderosa e mesmo assim eu não consigo nenhum progresso significativo. – eu disse frustrada.

Ficamos em silencio por uns instantes e então ele se levantou e disse:

- Você veio aqui só para tocar violão ou para treinar também. Ah, você toca realmente bem e sua voz é perfeita. – ele disse dando aquele sorriso de lado perfeito.

- Obrigada. – eu disse corando e desviando o olhar. – Eu... hum... já treinei. Eu vim aqui para treinar.

- Disponha. E você treinou sozinha?

- Sim.

- E onde esta o seu instrutor? Ouvi dizer que iam te conseguir um.

- Não faço a mínima ideia de onde Diogo esteja, e também não é como se ele tivesse que ficar a minha disposição.

- Diogo? Diogo Salles?

- É, você o conhece?

- Sim, conheço, nós somos amigos. Só não sei por que Diogo não disse que era ele o seu instrutor.

- Vai ver ele esqueceu.

- É, vai ver ele esqueceu. Quer treinar comigo? – ele disse sorrindo.

- Claro.

Ele pegou dois pares de luvas de boxe azuis, me deu um e colocou o outro – enquanto ia em direção ao saco de areia.

- Vamos fazer assim: você segura o e eu bato depois eu seguro e você bate, tudo bem? – ele disse.

- Tudo bem.

Eu segurei o saco e ele começou a socar. Ele, como eu imaginei, era super forte. Confesso que foi um pouco difícil pra mim manter o saco no lugar. Ele habilmente dava socos ages e em uma sequencia incrivelmente rápida. Se eu não fosse uma vampira com certeza não teria visto os braços dele se movendo. Era tão rápido que para um humano pareceria que ele não estava se movendo, como se ele estivesse todo o tempo parado na mesma posição.

Conforme o tempo foi passando a força também aumentou, eu, sinceramente, não sei como eu consegui segurar.

Depois de sabe se lá quanto tempo ele parou de socar e disse:

- Acho que é o suficiente. Agora é sua vez, vamos?

- Bom, isso vai ser humilhante, mas vamos lá.

Ele apenas sorriu tirando as luvas e seguro o saco de areia.

Eu coloquei as luvas, respirei fundo e dei o primeiro soco.

Como antes a sensação era ótima. Meus socos foram ficando mais rápidos, nada como os do Marco, claro, mas mesmo assim rápidos. A força também foi aumentando. Eu estava tão focada que tudo na sala sumiu - ate mesmo o Marco -, as únicas coisas que eu via era o saco de areia e as luvas azuis o acertando.

Direita esquerda.

Direita esquerda.

Mais forte.

Direita esquerda.

Direita esquerda.

Mais rápido.

Direita esquerda.

Direita esquerda.

- MELANY! – alguém gritou.

Parei, pisquei, pisquei de novo. Olhei para o lado e vi Marco, com as sobrancelhas juntas. Pisquei de novo.

Sorri.

- Hei, não grita comigo.

- Te chamei, umas dez vezes e você não escutou. – ele disse sorrindo.

- Oh, desculpe. – eu disse timidamente desviando o olhar.

- Não tem o que desculpar. – ele disse ainda sorrindo. – E, uau! Você é forte e rápida. Diogo está fazendo um ótimo trabalho.

- Bem, na verdade a única coisa que ele me mandou fazer até agora foi corre levantar peso e fazer abdominais. – eu disse.

- É?

- É.

- Mas você é forte e rápida do mesmo jeito. Quantos anos você, tem?

- Cinquenta e cinco.

- Só?

- Hei, eu não sou tão nova assim. – eu disse.

- Na verdade você é.

- Está certo, Sr. Terceira idade. – eu disse ironicamente.

- Você não deveria falar assim com os mais velhos, senhorita Lisli. – ele disse sorrindo.

- Ah, fala serio, você tem o quê, cem anos?

- Mais. – ele disse olhando-me intensamente.

- Cento e cinquenta?

- Mais.

- Duzentos?

- Mais.

- Duzentos e cinquenta?

Ele negou com a cabeça. – Mais.

- Tudo bem, desisto. Quantos anos você tem?

- Trezentos e vinte.

- O QUE? – eu gritei. Meus olhos se arregalaram e minha boca abriu em um perfeito “O”.

- Trezentos e vinte. – ele disse com aquele meio sorriso perfeito.

- Ok, então por que você é aluno e não professo? Quer dizer você deve ser mais velho do que a nossa diretora!

- Acho que é melhor ser aluno do que professor. Sim, muito melhor ser aluno, professor tem muitas responsabilidades. – ele disse sorrindo.

- Você não gosta de responsabilidades?

- Em algumas ocasiões sim, mas ser professor é uma responsabilidade desnecessária pra mim. Prefiro outro tipo de responsabilidade. – ele disse me olhando intensamente.

Desviei o olhar.

De repente todo o cenário mudou. Ao invés de ver o ginásio com suas paredes altas e brancas, suas grandes janelas, colchonetes azuis, equipamento de musculação e tudo mais que havia no ginásio eu via outra coisa...

Pisquei tentando voltar a realidade, mas a nova realidade não se dissipava.

Eu estava em um quarto de casal, feito de madeira, neste quarto existia uma janela que estava aberta de dela via-se o inicio de uma floresta. Uma cama de casal coberta por uma colcha de retalho ficava em baixo da janela, ao lado da cama havia uma poltrona de couro negro, onde uma mulher estava sentada com um bebê no colo.

Essa mulher era morena, seus cabelos lisos castanho-médio, seus olhos estavam baixos olhando para o bebê, por isso não pude ver a cor, mas suas feições eram angelicais. Um sorriso carinhoso surgiu em seus lábios quando o bebê deu uma gargalhada gostosa que só bebês são capazes de dar.

- Minha menininha, a mamãe te ama tanto. – disse a mulher em um tom triste. Lagrimas começaram a fluir dos olhos da mulher.

Eu não sabia o que estava acontecendo, até o momento eu estava perfeitamente imóvel, mas hesitantemente cheguei mais perto.

O bebê era uma menina, vestia um macacão rosa, mas estava enrolada em uma manta azul, sua pele era morena, seus cabelos preto-azulado, - exatamente da mesma tonalidade do meu -, seus pequenos olhos estavam fechados, mas então se abriram... no mesmo momento a mulher que levantou o olhar e aqueles olhos, os das duas, eu já tinha visto aqueles olhos antes. Eu os encarava todos os dias na frente do espelho... os olhos delas exatamente iguais aos meus...

Escuridão.

Mãos grandes e quentes emolduraram meu rosto.

Abri os olhos. Um par de olhos de cor mel me encarava de tão perto que pude ver meus olhos refletidos neles. Senti seu hálito quente no meu rosto, cheirava a menta.

- Você está bem? – ele disse.

- Sim. – eu disse fracamente.

- O que aconteceu?

- Eu... err... – como eu ia explicar isso a ele? – Não aconteceu nada.

- Melany, é claro que aconteceu alguma coisa. De um segundo para o outro seus olhos ficaram desfocados por, sei lá, uns cinco minutos e você ficou extremamente parada, depois seu corpo ficou mole e você caiu de olhos fechados.

- Oh! – foi a única coisa que eu consegui dizer.

Como tudo isso aconteceu?

- Eu estou preocupado com você! Diga-me o que aconteceu, talvez eu possa te ajudar. – disse Marco, sua voz carregada d preocupação.

O que foi aquilo? Éramos realmente eu e minha mãe? Como isso aconteceu? Era uma lembrança?

Lagrimas nublaram meus olhos e Marco me abraçou. Os soluços se juntaram as lagrimas, eles vinham fortes e altos fazendo meu peito tremer.

- Calma, eu estou aqui. Shsh. – disse Marco suavemente.
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Capitulo Oito

domingo, 31 de julho de 2011.
Acordei na manhã de sábado e fui direto tomar banho.

Sai do banho e fui para o quarto escolher a minha roupa.

Decidi por um short preto curto – de alfaiataria -, e uma regata azul-clara. Fiz uma maquiagem leve, coloquei brincos de prata e um cordão também de prata com um pingente de cristal.

Já disse que eu amo cristal? Pois é, eu amoo cristal!

Peguei minha bolsa preta, calcei uma sandália de salto preta e fui da uma olhada no espelho.

Lock básico e elegante.

Saí do quarto e encontrei com Isabel.

- Hei, tudo bem? – ela perguntou um pouco preocupada.

- Sim, perfeitamente bem!

- Hei meninas! – disse Carol chegando até nós. – Prontas?

- Sim. – Eu e Isabel respondemos juntas.

- Então vamos! – disse Carol balançando as chaves do seu carro.

Nós chegamos ao estacionamento da academia e fomos para a fila da direita em direção ao carro da Carol e...

Uau!

Calma aí, uau de novo.

Aquela era uma BMW M6?!

Sim era e... Ela era vermelha sangue.

Super discreto - pensei ironicamente.

- Hei, não era para nós passarmos despercebidos entre os humanos? – perguntei ainda atônica.

- Sim. – disse Isabel.

- Hãm, e como nós vamos passar despercebidas nesse carro?

Fala serio! Um M6 numa cidadezinha no interior de Minas Gerais? Isso ia ser um acontecimento.

- Relaxa, Mel. Todos da cidade sabem que aqui na Academia São Francisco só estudam “riquinhos filhinhos de papai”. – disse Carol ironicamente.

- Ok, já que vocês estão falando...

- Vamos logo Mel! – disse Isabel claramente impaciente.

- Vamos. – eu disse abrindo a porta do carro.

Carol foi para o lado do motorista, Isabel no lado do carona e eu no banco de atrás.
A “viagem” para o shopping, que ficava em outra cidade, durou mais ou menos quarenta minutos.

O shopping era bem grande. Três andares e mais o estacionamento.

- Bom, aonde nós vamos primeiro, Mel? – perguntou Isabel.

- Fazer compras!

- Uhu! Sim, sim compras! – disse Carol com um entusiasmo enorme.

Começamos a "bater-perna" no shopping olhando todas as vitrines e entrando em todas as lojas.

- Aqui, o que vocês acham? – perguntou Isabel.

Ela estava com uma blusa pink, tomara-que-caia, com detalhes esverdeados na barra.

Olhei para a blusa, olhei para Isabel, olhei para Carol que fez a mesma coisa.

- Não! – eu Carol respondemos juntas.

- É amiga você realmente tem um gosto duvidoso para moda! – eu disse.

- Me poupe Isabel! Pink com verde? Só você mesmo. – disse Carol balançando a cabeça.

- Vamos a outra loja aqui não tem nada que preste! – disse baixinho.

Elas riram.

Saímos da loja e paramos em frente a uma boutique que me pareceu realmente amistosa.

Ela era pequena com a fachada de viro fumê, ou seja, não dava para ver nada lá dentro.

- Essa loja é ótima, o dono é um vampiro. Todas as ultimas tendências da moda estão aí dentro!

- E por que é que vocês não me disseram isso ante? Nós teríamos vindo direto para cá! – eu disse.

- Ah, sei lá, eu esqueci. – disse Isabel.

Entramos na loja e... Uau!

Dentro as paredes eram pretas e vermelhas sangue, havia um balcão de mármore negro no fundo da loja, provadores à esquerda, um sofá enorme vermelho a direita, varias araras com vestido, blusas, calças e shorts, prateleiras com sapatos e ao lado direito do balcão havia uma estante de vidro transparente exibindo diversos perfumes. 

- Posso ajudá-las senhoritas? – disse uma atendente humana. Parecia ter uns vinte anos, era branca, ruiva, altura mediana e usava um uniforme que consistia em uma blusa social vermelha e uma calça preta também social.

- Claro, queremos ver sapatos! – eu disse.

- Sigam-me, por favor. – disse a atendente.

Paramos em frente a uma prateleira e a mulher começou a tirar caixas e mais caixas.

- Essa e a nossa nova coleção do designer francês Jean Pirrey. – dizendo isso a humana começou a tirar os sapatos das caixas.

Tinha um scarpin preto de salto alto que era um sonho.

- Eu quero! – eu disse olhando o scarpin. – Eles são perfeitos!

Carol estava olhando uma bota marrom de couro com fechamento lateral e salto alto fino. Pude os olhos de Carol brilhar com a bota.

- Leva Carol, são lindas. – eu disse.

- Você acha, Mel? – disse Carol.

- Claro! – eu disse e me virei para Isabel. – Não gostou de nada Isabel?

- Sim uma sandália preta e prata. – disse Isabel levantando a sandália.

Wow! Até que enfim. A sandália era preta de salto fino na parte da frente era trançada com tiras prata.

- É linda Isabel. – Carol disse.

- Leva! – eu disse.

Eu saí da boutique com meu par de scarpin e mais uns cinco pares de sapatos todos do Pierrey, alem de, uma blusa azul muito linda. Carol levou a bota e uma calça jeans azul skinny. Isabel levou a sandália e um vestido lilás que era um sonho!

Andando pelo shopping percebi que ainda não tinha comido nada.

- Vamos comer alguma coisa? – eu disse.

- Claro, estou faminta. – disse Carol.

- Então vamos. – disse Isabel indo para a escada rolante.

Fomos para um pequeno restaurante muito aconchegante, que ficava no segundo piso e nós sentamos em uma mesa discreta no fundo do restaurante.

- Bom dia senhoritas, meu nome é Carlos e eu irei servi-las hoje. – disse o garçom.

- Bom dia Carlos. – eu disse olhando para ele. Bem, não exatamente para ele e sim para o pescoço dele. Eu não tinha me alimentado ainda. Quando ele pendeu a cabeça para o lado - esperando uma resposta para uma pergunta que eu não ouvi -, seu pescoço ficou totalmente exposto só esperando os meus caninos se afundarem nele. Hum...

Senti um chute na minha canela.

- Mel, o que você vai querer? – disse Carol me encarando.

- Err... hum... uma sala e um peito de frango grelhado. – respondi saindo dos meus pensamentos.

- Mas alguma coisa senhoritas? – Carlos perguntou gentilmente olhando nos meus olhos e sorrindo.

Ok, ele pensou que estava dando em cima dele!

Se ele soubesse dos meus pensamentos maléficos em relação ao pescoço dele...

- Não obrigada. – eu respondi com um sorriso tímido.

Minhas presas estavam latejando. Eu deveria ter me alimentado antes de sair da academia.

Comemos sem falar nada. Pagamos a conta e saímos.

- Mel, por que você não se alimentou na academia? – perguntou Carol.

- Esqueci! – respondi.

- Acho melhor a gente ir embora. – disse Isabel.

- Nada disso. Eu posso muito bem me controlar.

- Tem certeza? – perguntou Isabel.

- Absoluta! – respondi.

- Então esta bem. – disse Isabel.

- Vamos procurar um salão de beleza, para fechar o nosso “dia de meninas” com chave de ouro. – eu disse. 

- Tem um salão muito bom aqui... – disse Carol.

- Na verdade é mais um spa. – completou Isabel.

- Ótimo, vamos! – eu disse animada e já esquecendo da minha sede.

Chegamos ao terceiro piso e fomos direto para o spa.

O spa era pequeno – claro dentro de um shopping, o que eu queria? -, mas aconchegante. A recepção tinha as paredes brancas, piso de cor areia e um balcão bege.

- Boa tarde senhoritas em que posso ser útil? – perguntou a recepcionista. Ela era morena, com cabelos lisos e castanhos, olhos pretos e em seu crachá li-se MÁRCIA.

- Bem, nós não temos hora marcada, mas queríamos saber se você poderia nos encaixar em um horário essa tarde. – eu disse.

- E o que as senhoritas têm em mente?

- Queremos fazer as unhas, massagens corporais e cabelo. – eu disse e sorri, sem mostrar as presa, claro.

- Vejamos o que posso fazer pelas senhoritas. – ela disse virando-se para o computador.

Uns minutos depois ela nos disse:

- Bom consegui encaixar as senhoritas. – disse Márcia sorrindo.

- Obrigada. – eu disse.

- É só seguir este corredor e virar a direita outra recepcionista estará esperando-as. – ela disse indicando um corredor.

- Obrigada. – eu repeti e segui o corredor que ela disse.

- Mel, como você consegui fazer ela encaixar a gente?! – disse Carol.

- Eu só pedi. – respondi.

- Mel, ninguém consegue ser atendido sem marcar hora. – disse Isabel.

- Bem, então nós temos sorte.

- Mel, sério, como você fez isso? – disse Carol.

- Não sei, gente. Eu só pedi.

- Mel, as vezes você me surpreende. – disse Carol.

Chegamos no local onde a recepcionista indicou e outra recepcionista estava lá nos esperando assim como Márcia tinha dito.

- Boa tarde senhoritas. Queiram me seguir, por favor. – disse a recepcionista. Ela vestia calça social azul e uma camisa social branca.

A seguimos e chegamos em uma sala com as paredes de cor azul-bebê e piso branco, três macas, três roupões, três cabines – para trocar de roupa -, e três gostosos humanos lindos e loiros.

O que?! Três gostosos humanos lindos e loiros?!

Sim, eles eram lindos para simples humanos.

- As senhoritas podem se trocar nas cabines. – disse um dos gostosos.

Olhei para Isabel e Carol que também me olharam e fomos as três trocar de roupa.

Bem, normalmente a gente fica de biquíni, não é? Pois bem, esse não foi o nosso caso.

Como não sabíamos que íamos fazer massagens não trouxemos biquíni e tivemos que ficar de lingerie mesmo.

- Podem deitar-se senhoritas. – disse o humano que falou primeiro.

Tirei o roupão timidamente e deitei na maca de barriga para cima. Pude ver o meu massagista me olhar de cima a baixo e fiquei corada instantaneamente. Ele me olhou nos olhos, com desejo em seu olhar por um segundo e arrumou a expressão. Até os outros dois me deram uma secada. E eu fiquei ainda mais corada.

Ah, detalhe: eu usava uma lingerie preta com renda vermelha. 

- Meu nome é Miguel. – disse meu massagista e olhou para os outros que ainda me encamavam. Miguel esclareceu a garganta. Os outros voltaram para o trabalho.

- Meu nome é Rafael. – disse o massagista de Carol a minha direita.

- Meu nome é Gabriel. – disse o massagista de Isabel a minha esquerda.

Isso só podia ser uma piada. Criaturas ‘malignas’ sendo massageadas por humanos com nome de arcanjos?!

Miguel começou massageando meus pés. Suas mãos eram macias, firmes e delicadas.

Miguel tinha altura mediana, pele branca, músculos definidos -, mas ele não era o tipo muito musculoso -, olhos cinzas, feições masculinas cabelos loiros e curtos.

Suas mãos foram subindo pela minha perna seus olhos não saíram delas e eu já estava fazendo uma mudança de cenário...

Olhei para Carol e ela estava literalmente secando Rafael. Virei-me para Isabel e ela também dava uma conferida em Gabriel.

Miguel subiu suas mãos para a minha barriga e eu já estava pensando loucuras.

Sim, as vezes eu sou um pouco pervertida!

Miguel pendeu a cabeça para o lado e esse foi o seu erro. Fixei meus olhos em seu pescoço achando-o muito sexy. Minhas presas começaram a se alargar e latejar. Eu já estava salivando com o pensamento das minhas presas se afundando naquele pescoço sexy.

Eu tenho que parar com isso – pensei. Mas continuei olhando.

- Mel? – disse Carol tão baixo que quase nem eu escutei.

- Hum? – eu disse, no mesmo tom, sem desviar o olhar do pescoço de Miguel.

- Mel? – repetiu Carol.

- Oi? – disse olhando para ela relutante.

- Enxuga a baba e fecha a boba. Suas presas estão quase aparecendo. – articulou Carol.

Eu fechei a boca rapidamente, mas eu não estava babando!

- Obrigada. – articulei de volta. – Cuidado com os olhos. Se não Rafael vai sair daqui seco. – sorri.

Ela sorriu de volta e articulo.

- Pelo menos eu não estou babando.

- Eu não estou babando!

Ela riu em voz alta e eu fiquei séria e fingi que não foi comigo.

Miguel, Rafael e Gabriel levantaram o olhar e olharam para Carol que ficou quieta. Depois de um momento de desconforto eles voltaram a concentrar-se em nos massagear.

Olhei para Isabel e ela estava nos encarando.

- O que aconteceu? – articulou Isabel.

- Nada! – articulei de volta. – Pode aproveitar a vista do massagista gostosão eu não vou contar para ninguém. – sorri.

Ela sorriu e ficou corada. 

Depois de um momento Miguel disse:

- Deite-se de bruços, por favor.

Virei-me e ele voltou a massagear minhas pernas.

Deus que mãos macias!

Ok, eu sei que já disse isso, mas elas são realmente muito macias!

Suas mãos foram subindo para as minhas costas e meus ombros, massageando suavemente meus ombros tenso, parando um momento no lado direito das minhas costas perto da nuca. Exatamente em cima de uma marca de nascimento que eu tinha. Certamente ele ficou intrigado com ela. Era realmente diferente, consistia em uma lua cheia levemente mais clara que minha pele e dentro dela havia uma estrela de cinco pontas ligeiramente mais escura que minha pele.

Saímos da sala de massagem e eu estava nas nuvens. Super relaxada e calma.

Miguel era maravilhoso com as mãos.

- Mel, você não pode mais sair da academia sem se alimentar. – disse Carol.

- Por quê? – eu perguntei.

- Você esta a pondo de rasgar o pescoço do pobre do massagista! – disse Carol rindo.

- Vamos ao cabeleireiro! – eu disse como se Carol não tivesse dito nada.

Isabel riu.

- Você esta rindo do que Isabel? Esta pensando que eu não vi você conferindo o material do seu massagista. – disse Carol rindo.

- Como se você não tivesse secado o coitado do Rafael. – disse Isabel rindo ainda mais e Carol ficou vermelha.

- Pode deixar amiga, nós não vamos contar para ninguém. – eu disse rindo.

Fomos para a parte do salão do spa.

- Senhoritas? – disse uma recepcionista loira, alta e com olhos azuis. – Queiram me acompanhar.

Nós a acompanhamos e fomos para um lado do salão onde haviam varias mulheres sentadas e cabeleireiras fazendo movimentos rápidos e hábeis com escovas e tesouras.

Sentamo-nos e fizemos massagem e escova nos cabelo, sobrancelhas, limpeza de pele –uma coisa desnecessária, já que nós tínhamos peles perfeitas - e as unhas.

Saímos do salão e fomos direto para o estacionamento. Entramos no M6 de Carol e voltamos para a academia.

Viemos conversando sobre os nossos massagistas e rindo bastante.

Chegamos na academia e fomos em direção ao dormitório.

- Meninas, esse dia foi ótimo. – eu disse quando cheguei a porta do meu quarto.

- Eu também adorei. – disse Isabel.

- Foi simplesmente fantástico. – disse Carol. – Temos que fazer isso mais vezes.

- Concordo. – disse Isabel.

- Podemos fazer isso uma vez ao mês o que vocês acham? – eu disse.

- Apoiada. – disse Isabel.

- Totalmente apoiada. – disse Carol.

- Então depois a gente marca. Boa noite meninas. – eu disse.

- Você não vai conosco ao refeitório procurar os meninos? – disse Carol.

- Não, eu preciso de sangue. Desde ontem que eu não me alimento, então eu estou meio fraca. – eu disse.

- É mesmo, eu tinha esquecido disso. – disse Isabel. – Boa noite Mel!

- Boa noite. – eu disse.

- Boa noite. – disse Carol.
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Capitulo Sete

Começamos com uns exercícios leves, até pra mim. Mas depois fomos para os exercícios mais difíceis.

Depois de um tempo eu disse:

- Hei, posso te fazer um pergunta indiscreta? – eu disse olhando para o Diogo.

Ele me olhou por um batimento de coração. E então disse sorrindo suavemente:

- Eu não tenho namorada.

Que cara convencido!

- Não era isso que eu queria saber. – rebati, mas confesso que foi bom saber, pensei.

- Oh, desculpe. – ele disse um pouco sem graça.

- Ah, esquece. – eu disse sorrindo.

- O que você quer saber?

- Nada de mais. Eu só estava me perguntando quantos anos você tem. Eu sei que é falta de educação perguntar isso. Você não precisa responder. – disse desviando meus olhos dos dele.

- Ah, eu tenho duzentos anos.

- Duzentos? – perguntei chocada.

- Muito velho pra você? – disse sorrindo.

Eu estava enxergando mal ou aquele sorriso era sedutor?

Eu realmente precisava da terapia.

- Er... não é só que... qual é o que mais você tem para aprende?

- Na verdade a maioria dos que estão aqui é para se reciclar ou para passar o tempo. Quando você é imortal a vida pode ficar um pouco entediante.

- Hum... imagino. – eu disse pensativa.

- É sua primeira vez numa academia, não é? – ele perguntou.

- Sim.

- Quantos anos você tem? – ele perguntou realmente curioso.

- Cinquenta e cinco.

- Por que só agora você veio para a academia?

- Bem, se fosse pelo meu pai...

- Pai? – ele perguntou me interrompendo.

- Meu criador.

- Ahã.

- Bem, com eu ia dizendo se fosse pelo meu pai eu já teria vindo há muito tempo. Mas eu nunca quis sair de perto dele. E como eu tenho um gênio levemente difícil eu bati o pé todos esses anos.

- Levemente difícil? – ele disse rolando os olhos.

- Hei, eu não sou tão difícil assim!

- Ahãm sei. – disse sorrindo.

O que? Ele nem me conhecia e já ia dizendo que eu era difícil?

- Qual é o seu elemento, Diogo? – eu perguntei mudando de assunto. Antes que eu me estressasse com ele.

- Terra. O seu é ar, não é?

- Sim. – respondi mesmo sabendo que ele já sabia.

Como se todo mundo já não soubesse.

O silencio caiu.

Eu olhava para as minhas mãos então não podia ver para onde Diogo estava olhando.

- Diogo?

- Sim?

- Você já lutou contra um lobisomem? – perguntei em voz baixa.

Eu não sei por que perguntei isso a ele, mas...

- Sim, duas vezes. E você?

- Eu nunca lutei contra nenhum lobisomem. Mas já vi um. Um não – corrigi-me. - sete.

- Sete? – ele perguntou incrédulo.

- Sim, foi no dia da minha transformação. Eu estava fazendo trilha com uns amigos em uma floresta quando eles apareceram. – estremecei com a lembrança, mas continuei. – Sete lobisomens enormes e aterrorizadores. A última coisa que me lembro é de um daqueles monstros vindo em minha direção. – estremeci novamente.
Senti os braços fortes de Diogo me abraçarem.

- Eu ainda tenho pesadelos com eles, mesmo depois de todos esses anos.

Diogo me apertou gentilmente em seus braços.

- Sabe na noite em que eu descobri o meu elemento eu estava tendo esse pesadelo. Eu acordei tão aterrorizada pelo pesadelo que eu nem percebi que não estava na cama. E quando eu tentei levantar e vi que estava no ar o terror aumentou. E eu não sabia o que estava acontecendo. Foi por isso que eu não quis deixar Daniel. Ele é a única coisa próxima de família que eu tenho. Sempre quis estar com ele quando descobrisse meu elemento.

Diogo me apertou novamente. 

- Eu tenho tanto medo de não conseguir. De não ser forte o suficiente...

Foi aí que eu percebi que estava chorando.

- Oh, desculpe, geralmente não sou assim, tão melodramática. – disse timidamente.

- Shhh. – ele disse.

O que estava acontecendo comigo? Porque eu estava contando isso para ele? Por que eu resolvi desabafar logo com uma pessoa que acabei de conhecer?
É eu precisava de terapia urgente.

Nós ficamos em silencio por alguns minutos.

- Você sempre viveu entre humanos, não é? – ele disse em uma tentativa obvia de mudar de assunto.

Então eu percebi que ele ainda estava com os braços ao meu redor.

- Sim. – disse saindo do abrigo de seus braços. – E não era tão ruim. A parte mais chata é ter que fingir.

- Imagino... – disse pensativo. – Você deve ser super resistente a cheiro de sangue então.

Pude ouvir sua risada, mas não tive coragem de encará-lo depois de tudo o que eu disse.

Ele deveria esta me achando uma idiota. O que não era novidade. Acho que todo mundo dessa academia me acha idiota.

Ele não disse mais nada e então percebi que estava esperando uma resposta.

- Não, nem tanto. Eu tenho bastante autocontrole, quando você vive no meio de humanos é preciso, mas não super resistência.

- É, sangue direto da fonte? Irresistível. - ele disse rindo.

Eu tive que rir também. Ri e decidi encará-lo. Uma hora eu ia ter que fazer isso mesmo.

Virei-me e o aqueles olhos azul-escuros penetrantes, intensos estavam me encarando.

- Sim, irresistível. – eu disse sorrindo.

Ele continuou olhando diretamente nos meus olhos e eu sustentei seu olhar.

- Você não parece ter cinquenta e cinco anos. – ele disse com a voz baixa.

- Eu sei. – respondi com a voz baixa também.

Ele sorriu.

Eu sorri.

Diogo abaixou o olhar para o relógio e disse:

- Bem, nosso horário acabou. – ele foi em direção a porta do ginásio. – A gente se vê amanhã.

- Sim. – respondi.

Ele saiu.

Eu peguei minha mochila lilás e sai também.

Saindo do ginásio encontrei com Isabel e Carol indo para o dormitório.

- Hei, meninas!

- Hei.

- Hei.

- E aí Mel, como foi a aula? – disse Isabel.

- Deve ter sido um saco! – disse Carol.

- Não até que a aula foi legal. – eu disse.

Principalmente a parte em que Diogo me abraçou, pensei.

- Quem é o seu instrutor? – perguntou Isabel.

- É o Diogo.

- Que Diogo? – perguntaram juntas.

- Diogo Salles.

- O que? – disseram, não, gritaram juntas novamente.

- O que pergunto eu. – disse calmamente. – Para que todo esse escândalo?

É claro que eu sabia o porquê de todo o escândalo. Diogo era simplesmente lindo!

- Eu não acredito, Mel! O Diogo é muito lindo! – disse Carol.

- Carol, o Diogo é lindo. Mas em questão de beleza ninguém supera o Marco, ele é simplesmente perfeito. – disse Isabel, enfatizando “perfeito”.

- Ok, meninas vamos parar de discutir a beleza dos gatos dessa academia e vamos falar sobre o nosso dia de meninas.

- Sim, sim! – disse Carol, super animada. – Eu estou louca para fazer logo esse dia de meninas.

- Eu também. – disse Isabel. – Mal posso esperar. 

- Vamos lá para o meu quarto. Aí a gente pode conversar melhor. Marcar o dia, o que vamos faze e tudo mais.

- Então vamos. – disse Carol.

Fomos para o meu quarto combinamos tudo direitinho. Resolvemos fazer no sábado, não tínhamos aulas nos fins de semana e que poderíamos sair da academia para fazer compras e tudo mais.

Isso ia ser divertido!

Depois que elas foram embora tomei um banho, um pouco de sangue e fui dormir.

Eu estava na mesma floresta em que encontrei aqueles lobisomens.

Oh, não, Deus, não! Esse pesadelo de novo não!

Por que é que eu fui falar com o Diogo sobre isso hoje? Eu não merecia isso!

Esse pesadelo duas vezes na mesma semana?!

Era demais para mim!

Aquele lobisomem de pêlos marrons, olhos negros como a meia-noite, dentes enormes, vindo em minha direção naquela corrida agressiva.

Eu como sempre estava aterrorizada.

Mas então em vez de me atacar o lobisomem parou e ficou me olhando.

Aqueles olhos negros profundos e aí...

Acordei com alguém me sacudindo freneticamente.

Abri os olhos e vi Isabel me olhando preocupada.

- Mel! Mel!

- Isabel? – perguntei ainda sonolenta.

- Mel! Você esta bem? – disse com a mesma expressão preocupada.

- Eu... – droga! Ainda estava meio grogue. – Eu estou bem. O que aconteceu?

- Não sei eu ouvi um grito e vim ver se você estava bem. Bati na porta, mas você não abriu e tudo ficou silencioso aqui dentro, então abri a porta e você estava suspensa no ar a uns vinte centímetros da cama.

De novo?

Será que eu só levitava quando eu tinha pesadelos?

- Eu estou bem Isabel. Não foi nada de mais, só um pesadelo, só isso. Obrigado por se preocupar. – eu disse.

- Disponha. Amigos são para essas coisas. E não precisa se preocupar não falarei para ninguém. Boa noite. – dizendo saiu e fechou a porta brandamente.

Levantei da cama e fui para o banheiro.

Olhei-me no espelho e vi o que sempre via. Meus olhos verdes, minha pele morena, meus cabelos negos, nada fora do normal.

Voltei para a cama e adormeci de novo. Sem sonhos. 
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Capitulo Seis

Depois do jantar, nós continuamos mais um pouco no refeitório, mas logo me despedi e fui para o meu quarto.

Eu estava exausta!

Cheguei ao quarto e fui direto tomar uma ducha. A água quente ajudou um pouco a relaxar, mas não totalmente.

Quando eu deitei na cama, já cai dormindo. Em um sono sem sonhos, graças a Deus.

Acordei cedo no outro dia, e tomei um banho quente e demorado.

Saindo do banheiro vesti meu uniforme, tomei um copo de sangue, escovei os dentes, - por puro habito -, fiz uma maquiagem leve como sempre, calcei minhas sapatilhas e fui para a aula.

Eu tinha acordado como se nada tivesse acontecido. E eu estava feliz.

Cheguei à aula de alemão com um sorriso bobo nos lábios.

O professor ainda não estava na sala, o que quer dizer que os alunos conversavam e riam a vontade.

Sentei na mesma cadeira que eu tinha sentado nas outras aulas. Observei a sala.

Alex estava sentado com os seus amiguinhos populares. Acho que ele nem me viu entrar.

O que era bom, já que eu não queria falar do que tinha acontecido e eu tinha certeza que ele ia perguntar.

Alex fez um movimento para virar na minha direção. Eu rapidamente peguei meu caderno e um lápis e fingi esta escrevendo alguma coisa, para vê se assim ele não vinha falar comigo.

O que não deu certo.

Eu pude sentir ele se aproximando de mim e comecei a rabiscar um desenho no papel com expressão de concentração. Eu nem sabia o que estava desenhando na verdade, mas continuei com a mesma expressão.

Pude sentir Alex atrás de mim. Com certeza ele estava olhando por cima do meu ombro.

- Não te ensinaram que espiar por cima do ombro dos outros é falta de educação? – perguntei me virando para encará-lo.

Ele sorriu.

– Você desenha bem. – disse ele olhando para o desenho. – Você toca?

Olhei para o papel e vi que tinha desenhado meu violão com extrema perfeição.

- Talvez. – respondi com um sorriso sagaz.

- Eu tenho um amigo que toca. – disse ele.

- E...?

- Talvez eu apresente vocês algum dia desses. Vocês se dariam bem.

- Ah é?

- Sim.

- Por que você acha isso?

- Não sei, só acho que vocês se dariam bem.

Se for o Marco pode aposta que eu quero conhecer, pensei. Ah e me daria muito bem com ele.

Ah não, chega Melany, você na esta aqui para arrumar um namorado, repreendi-me mentalmente.

Que me fez lembrar uma coisa.

- Alex?

- Sim?

- E então como vai sua quase nova namorada? – perguntei inocentemente.

- Quem? – disse parecendo surpreso.

- Ah você sabe. A tal baixinha. Como é mesmo o nome dela? – fiz uma expressão de reflexão. – Ester, sim Ester é o nome dela, não?

- Como você sabe disso?

- As noticias correm meu amigo. – disse com a voz e a expressão misteriosa.

- Que seja. – disse ele. – E ela não é minha quase nova namorada.

- Não? Já evoluíram do quase namoro ao namoro? – perguntei inocentemente.

- Não e não evoluiremos para nada. Nós só ficamos e ela já anda dizendo por aí que nos estamos namorando!

- Então foi ela quem espalhou isso? – perguntei.

- Sim. – ele respondeu e eu pude ouvir a sinceridade em sua voz. – Ela é muito chata e eu mereço coisa melhor.

Ele sorriu e eu tive que rir também.

- Sim, você merece coisa melhor.

- É, mas eu vou ter que procurar em outro lugar, porque aqui não tem ninguém a minha altura.

- Oh, tem sim.

- Não tem não. Eu já procurei bastante.

- Talvez você esteja procurando no lugar errado.

Quando ele ia falar o senhor Fernando entrou na sala pedindo silencio. Alex me olhou por um instante, como se fosse me perguntar o que eu queria dizer com aquilo, mas então foi sentar na sua cadeira.

Ele estava com a pulga atrás da orelha. 

A aula de alemão passou rápido. E quando eu estava indo para a minha aula de magia elementar Alex me chamou:

- Mel!

Olhei para trás e ele já estava me alcançando.

- Mel, o que você...?

- Alex eu estou atrasada para minha aula depois a gente conversa, ok? – eu disse interrompendo-o.

Eu queria que ele pensasse no que eu tinha dito.

Saí correndo para a minha aula.

As aulas de magia elementar e literatura passaram em um piscar de olhos.

Quando saí do vestiário e cheguei no ginásio, só o Mark estava lá o que foi bom, por que ele ia me mandar fazer os meus exercícios antes que o resto da turma chegasse e ficasse me encarando.

E foi o que ele fez.

- Melany, hoje você vai continuar com os exercícios da ultima aula. Trinta minutos de corrida na esteira e trinta minutos de levantamento de peso, ok?

Eu o encarei, finalmente alguém me chamou de Melany ao invés de senhorita Lisli.

Eu estava nas nuvens!

- Ok. – disse um pouco desconcertada.

Foi eu terminar de falar os outros alunos chegaram.

Me apressei e fui para a área de musculação.

Como aconteceu na ultima aula eu me distrai e comecei a cantarola enquanto me exercitava.

E dessa vez Alex não veio falar comigo. Acho que ele ainda estava processando o que eu disse.

A aula terminou e depôs que eu me troquei fui para o refeitório, ainda tinha gente me olhando torto e eu pude ouvir umas risadinhas, mas sinceramente? Não dei a mínima.

Quando saí da fila do buffet Carol, Isabel, Bruno e Marcelo já estavam sentados à mesa.

Fui em direção a eles e sentei numa cadeia de costas para o salão.

- Hei, pessoal!

- Hei.

- Hei.

- Hei.

- Hei.

- Isabel, tenho uma bomba pra te contar!

- O que é? – ela perguntou curiosa.

Eu estava sentada ao lado do Bruno, Isabel na minha frente, Carol no lado direito e Marcelo no lado esquerdo de Isabel.

- Adivinha!

- Não faço a mínima ideia! – respondeu ela.

- Conta logo, Mel! – disse Carol.

- Ok. O Alex...

- Chega Mel! Não quero saber sobre o Alex. – disse Isabel me interrompendo.

- Calma! Deixa-me terminar.

- Mel, eu não quero saber que ele realmente está namorando a Ester.

- Eu sei que você não quer saber. E não é isso que eu tenho para te contar.

- O que é então?

- O Alex...

- O Alex o que Mel? – disse Carol impaciente.

- Calma!

- Conta logo! – disse Bruno. – Até eu já estou curioso.

- O Alex não está namorando nem quase namorando a Ester. – disse sorrindo amplamente.

Eles me encararam.

- Como assim? – disse Marcelo. – Todo mundo está dizendo que eles estão quase namorando!

- Uh-huh, mas acontece que eu falei com o Alex, discretamente é obvio, e ele disse que ela é quem está espalhando isso por aí e que ele só ficou com ela e não está nem vai namorar ela.

- Mel, às vezes eu tenho medo de você. – disse Bruno rindo.

Eu ignorei isso.

- Bem, agora nós temos que fazer ele “enxergar” a Isabel.

- Como assim? – perguntou Isabel ainda um pouco desconcertada.

- Minha amiga, você é linda! – eu disse.

- Com certeza. – disse Carol.

- Mas...

- Mas? – disse Isabel.

- Mas nós precisamos dá up no seu visual.

- Concordo. – disse Marcelo.

Nós o encaramos.

- O que? – perguntou ele.

- Esquece! Bem, nós poderíamos fazer um dia de meninas. 

- Como assim? – perguntou Isabel.

- Assim, nós, meninas – dei ênfase em “meninas” – tiramos um dia só para fazer coisa de mulher sabe? Fazer massagem nos cabelos, fazer as unhas, essas coisa. Apesar de, é claro, nós não precisarmos.

- Ótima ideia, Mel! – disse Carol.

- Isabel?

- Simplesmente amei! – disse ela.

- É, Bruno elas nos jogaram para escanteio. – disse Marcelo fingindo estar triste.

Bruno suspirou com o mesmo fingimento.

- Vocês mentem muito mal. – disse Carol.

- Também acho. – eu disse.

Isabel só balançou a cabeça em desaprovação.

Nós rimos.

O sinal tocou.

- Bem, pessoal, até mais. – disse indo para a minha aula.

Quando cheguei à sala a professora Karla já estava me esperando.

- Olá, senho... Melany!

- Olá, professora!

- Como vai? Está disposta a começar a aula?

- Claro, não vejo a hora de dominar o meu elemento.

- Ok, então vamos começar.

Começamos com exercícios de concentração e relaxamento. Até que eu consegui fazer uma leve brisa levantar os papeis que estavam sobre a mesa.

Eu vibrei!

Essa pequena evolução era como a manhã de natal pra mim.

Eu sei que eu não fiz nada de mais, mas mesmo assim eu estava em êxtase total.

Nossos exercícios continuaram do mesmo jeito concentração e relaxamento.

Eu não fiz muitos progressos, mas Karla disse que eu estava indo bem para meu primeiro dia.

Apesar disso, eu estava frustrada por não conseguir fazer mais coisas.

Quando a aula acabou eu fiz beicinho igual criança.

Eu queria aprender mais!

Quando cheguei a aula de língua portuguesa estava feliz. Não tinha conseguido muita coisa, mas estava realmente feliz.

As aulas passaram muito rápido.

Não sei se por que eu estava feliz ou por que eu estava ansiosa para começar com os treinamentos fiscos extras.

Sai da aula de hipismo e fui para o para o vestiário. Tomei um banho me troquei e fui para o ginásio ter a minha primeira aula extra de defesa pessoal.

Mark disse que meu instrutor ia ser um de seus melhores alunos.

Era o que eu esperava.

Cheguei ao ginásio e ele estava... vazio.

Eu não queria perder tempo. Já que era para eu treinar, eu ia treinar com ou sem instrutor.

Eu não sabia o que fazer então comecei a me alongar como se estivesse me preparando para uma aula de dança. Coisa desnecessária quando se é uma vampira, mas velhos hábitos nunca mudam.

Alonguei braços e pernas.

Repetia cada alongamento dez vezes e partia para outro.

Uns vinte minutos depois eu estava literalmente de bunda para cima.

Estava em pé com as pernas esticadas e as mãos no chão quando ouvi alguém se aproximando e logo ouvi uma voz baixa e calma, porem firme dizer:

- Senhorita Lisli, desculpe-me pelo atraso.

Levantei e comecei a esticar os braços, alongando-os. 

- Melany, me chame de Melany. – disse sem me virar para olhá-lo.

Mas que coisa!

Será que é difícil me chamar de Melany?

- Ok, Melany, desculpe-me por me atrasar. – disse ele.

Pude perceber em sua voz que estava sorrindo.

Virei-me para encará-lo.

Quando o vi cortei a respiração para não arfar.

Deus, ele era lindo!

Ele era um vampiro alto, quase tanto quanto Marco, sua pele tinha um leve bronzeado causado pelo sol, seus olhos penetrantes eram de azul-escuro, seus cabelos eram castanhos. Vestia uma calça de ginástica, larga, preta e uma camisa sem mangas verde, que mostrava todos os seus músculos.

Eu estava começando a ter fortes suspeitas de que no mínimo 95% dos caras dessa academia eram lindos!

De onde é que eles tiravam tantas beldades?

Seria difícil me concentrar com um professor tão bom assim. Está certo ele não era exatamente o meu professor, já que ele era aluno também.

O que me fez pensar... como eu nunca o tinha visto?

Bem, eu também não tinha reparado o Marco nas minhas aulas, então...

- Meu nome é Diogo Salles – disse interrompendo os meus pensamentos. –, mas pode me chamar só de Diogo. – sorriu encantadoramente.

- Muito prazer, Diogo. – disse sorrindo também.

Ele estendeu a mão e eu a peguei, - sua pele era tão macia! – nós balançamos nossas mãos por uns segundos enquanto ele dizia:

- O prazer é todo meu, Melany. – sorriu novamente.

Sorri de volta bobamente.

Eu tinha que parar com isso!

Pelo amor de Deus! Toda vez que um cara bonito chega perto eu ficava assim.

Isso já estava ficando desconcertante!

- Vamos começar? – disse me olhando com aqueles olhos penetrantes.

- Bem, eu já meio que comecei. Não sabia o que fazer enquanto esperava então comecei a me alongar como se fosse para dançar.

- Muito bom!

- Er... obrigado! – disse um pouco tímida.

- Disponha. – sorriu.

Deus, que sorriso!

Chega Melany repreendi-me mentalmente.
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Capitulo Cinco

segunda-feira, 2 de maio de 2011.
Eu acordei deitada numa cama, que por sinal, não era minha. Tentei me acomodar e... Essa definitivamente não era a minha cama.

Abri os olhos e vi... branco.

Olhei em volta e tudo era branco, com exceção da poltrona, que era preta, do lençol que me cobria, que era azul, e do homem sentado na poltrona. Na verdade o homem também era branco, mas você acompanhou o raciocínio.

E esse homem era Daniel. Ele estava com uma expressão de dor e culpa. E essa era uma expressão que eu não gostava nada, nada.

- Pai... – disse. Ia dizer que eu estava bem e que era para ele não se preocupar, mas minha voz falhou.

- Mel! Eu estava tão preocupado.

- Não precisava eu estou bem. – disse tentando ao máximo soar convencível. Mas acho que não consegui muita coisa, por que a expressão de Daniel foi de culpa e dor para incredulidade.

- Mel, você sabe quanto tempo faz que você está desacordada?

Aí ele me pegou bonito. Eu não fazia a mínima ideia de quanto tempo eu fiquei apagada.

Uma hora? Duas? Um dia? Dois? Uma semana?

Daniel me olhava e eu sabia que ele sabia que estava tentando encontrar uma resposta e... que eu não ia achar.

- Você esteve desacordada por vinte e quatro horas inteiras, Mel.

- O que? – eu quase gritei. Ok eu confesso eu não sei nem como eu ainda tenho pregas vocais.

- Calma Mel. – disse ele.

Como assim ele queria que eu ficasse calma? Eu tinha ficado de fora de combate por quase um dia inteiro. UM dia.

- O que eu tenho? – perguntei tentando controlar o meu tom de voz.

- Aí é que está. Você não tem nada.

Ele só podia estar brincando. A pessoa fica desacordada por um dia e não tem nada?

- Eu não entendo. – disse completamente confusa.

- Esse é outro problema, Mel. Ninguém entende.

Eu pude ver que a preocupação dele estava aumentando cada vez mais.

- Eu já posso sair daqui? – perguntei.

- Não sei. Vou chamar a enfermeira.

Ele saiu e depois de uns minutos entrou uma dampira alta, corpo esbelto, pescoço longo, olhos azuis, com um semblante calmo e vestida com um jaleco branco.

- Então posso ou não posso sair daqui? – perguntei impaciente.

- Pode, senhorita Lisli. – disse ela.

- Melany, me chame de Melany.

Eu já estava de saco cheio de todo mundo me chamar de senhorita Lisli para lá e para cá.

Daniel me repreendeu com um olhar afiado. Que eu prontamente fingi que não vi.

Desci da cama com o máximo de cuidado possível, ou seja, quase levei a bandeja que estava na mesa ao lado da cama.

- Obrigado. – disse olhando a enfermeira, que eu não sabia o nome.

- Não tem de que querida. – disse com um sorriso amável.

Eu e Daniel saímos da enfermaria juntos.   

- Mel, a senhora Carmem quer conversar conosco.

- Sim, mas eu posso pelo menos passar no quarto e tomar um banho? – disse fazendo uma careta.

Eca! Eu fiquei quase um dia inteiro sem tomar banho!

Que nojo!

- Claro, eu vou com você.

- Então vamos.

Chegamos ao quarto eu fui para o banheiro tomar banho. Já saí do banheiro vestida, com uma calça jeans e uma regata, calcei uma sapatilha, fiz uma maquiagem leve e prendi o cabelo num rabo-de-cavalo.

Daniel me olhava com uma expressão curiosa.

- O que? – perguntei.

- Só estava me perguntando por que você não usa mais seus cabelos soltos. – disse dando de ombros.

- Hum... – disse. – Sabe, nem eu mesma sei por quê.

Saímos do quarto e fomos para a secretaria sem dizer mais nada.

Chegamos a secretaria e a diretora já estava nos esperando.

- Senhor e senhorita Lisli. Sentem-se, por favor. – disse assim que chegamos.

Eu e Daniel nos sentamos e houve um momento de desconforto.

- Bom... – disse a senhora Carmem, esclareceu a garganta e continuou. – Como já sabemos a senhorita Lisli é uma usuária de ar. E é muito poderosa tendo em vista que ainda é muito nova e já consegue, levitar...

- Apesar de não ter a mínima ideia de como eu faço isso. – disse interrompendo-a.

- Sim. – disse ela. – Mas o ponto é que não sabemos nada a respeito de como tanto poder possa ter surgido em uma vampira tão nova e que a senhorita passou um dia inteiro desacordada e não sabemos o porquê.

Novamente houve um momento de silencio desconfortável.

- Possivelmente possa ser um efeito de ter tanto poder. – disse Daniel quebrando o silêncio. – Esse esgotamento físico pode ter sido em função de ter muito poder.

- Sim, mas de qualquer forma não sabemos exatamente o motivo. Pode ter sido em função do poder ou não. – rebateu Carmem.

Será que eu estava doente?

Ah, claro que não!

Vampiros não ficam doentes. Dãã.

Mas então o que estava acontecendo comigo?

- Então já que não sabemos realmente o porquê; deveríamos reduzir as aulas de Melany. Principalmente defesa pessoal, que é a mais exigente com o corpo.

- Ao contrario senhor Lisli. Deveríamos aumentar a carga horária das aulas de defesa pessoal, justamente por exigir mais do corpo. Muito poder pede um corpo bem preparado e forte para conseguir lidar com o que possa acontecer com ele.

Eles estavam falando de mim como se eu não estivesse ali, pode?

Eles continuaram discutindo. Toda vez que eu tentava falar um deles me interrompia. Parecia que era de propósito. Eu já estava ficando de saco cheio!

Depois do que pareceram horas, eles finalmente se decidiram.   

- Então fica decidido que a senhorita Lisli, fará aulas extras de defesa pessoal depois do horário e também fará aula de magia no lugar da aula de dança. Certo? – disse a diretora

Aí eu me revoltei! Como assim eles iam tirar a única aula que eu gostava?

- Não, não e não. – disse literalmente batendo o pé. - Eu não vou deixar de fazer as aulas de dança.

- Mel, seja racional... – começou dizer Daniel.

- Eu estou sendo. A aula de dança é a única que eu faço com prazer. Se vocês me tirarem isso eu vou enlouquecer de vez! – disse.

- Ninguém disse que você está louca senhorita Lisli. – disse Carmem calmamente.

- Melany, me chame de Melany. – disse. – E eu posso não estar louca, mas certamente é o que parece. Qual é? Eu fiquei um dia descordada, depois de ter uma dor e uma queimação no corpo que eu pensei que estivesse pegando fogo. Depois eu acordo como se nada estivesse acontecido. Seu eu não estou louca eu estou no caminho.

Eles me olharam em choque.

- Você não falou dessa dor e queimação para enfermeira. – disse a senhorita Carmem. Não era uma pergunta.

- Não. – respondi do mesmo jeito. – Não disse.

- Mel, você não esta louca. Vampiros não ficam loucos. – disse Daniel.

- Tudo bem, tudo bem, vampiros não ficam loucos, mas vocês não podem tirar a única aula que eu me interesso. – disse decidida. Eles não iam conseguir me convencer.

- Então você terá aulas extras de magia no lugar de filosofia. Ok? – disse Carmem.

- Sim, ok. – disse claramente satisfeita. – Eu vou voltar para as aulas hoje?

- Não. – disse a senhora Carmem. – Você voltará amanhã.

- Então vou voltar para o meu quarto. - disse me levantando.

- Claro, querida. – disse ela.

- Obrigado senhora Carmem. Com licença. – disse Daniel.

Eu dei um breve aceno com a mão.

Eu e Daniel saímos da secretaria e fomos em direção ao dormitório. Antes de entrarmos Daniel se deteve e disse com uma expressão seria e voz firme:

- Mel, eu preciso voltar paro o Rio, mas se acontecer alguma coisa, qualquer coisa, você pode me ligar. Se você achar que é demais pra você e que você não está agüentando é só falar que eu venho te buscar imediatamente.

- Tudo bem. – disse simplesmente.

- Mel, me prometa que você vai ligar e que não vai me esconder nada só para eu me sentir melhor.

- Eu prometo.

Ele me olhou por um longo momento.

- Ok, então tchau. – disse.

Antes de ir ele me deu um longo e forte abraço e um beijo na bochecha.

- Tchau, pai.

Ele se virou e foi, mas então se virou bruscamente como se estivesse acabado de lembrar de algo.

- Ah! – disse ele. – Eu trousse seu violão. Está no seu quarto.

- Obrigado pai. Te amo.

- Também te amo querida. – disse e foi embora.

Acho que meus olhos estavam brilhando por que enquanto ia para o meu quarto o mais rápido que podia e tropecei em Isabel, ela me dedicou um sorriso enorme.

- Mel. – disse me abraçando. – Que bom que você acordou. E você parece muito feliz.

- Eu estou. – disse.

- Aonde você vai com tanta pressa?

- Para o meu quarto. – disse. – Vem comigo.

- Claro. É tão bom ver que você esta bem. Nós ficamos muito preocupados. Ninguém sabia o que ia acontecer nem o que você tinha. – disse ela cautelosa.

- Então vocês não sabem mais do que eu. – disse encolhendo os ombros.

- Como assim, você não sabe o que você tem? – perguntou ela com uma expressão de desconfiança.

- Na verdade eu sei o que eu tenho. – fiz uma pausa considerando. – Bom o certo seria dizer que eu sei o que eu não tenho.

- Como assim? Não entendi. – agora ela estava claramente confusa.

- Aí é que está nem eu. Acontece que ninguém sabe o que aconteceu. Só o que se sabe é que eu não tenho nada aparentemente.

Nós ficamos em silencio por um momento.

Percebi que tínhamos parado de andar. E lembrei que meu violão me esperava no quarto.

- Vem. Vamos logo.

Chegamos no quarto e meu violão estava em cima da minha cama.

Como eu não o vi lá?

Eu definitivamente precisava relaxar!

- Ah, o violão chegou. Você bem que podia tocar um pouquinho. – disse Isabel com os olhinhos brilhantes.

- Talvez mais tarde. – disse. – Agora você não queria ver minhas lingeries?

- Sim, sim. Mas é melhor eu chamar a Carol primeiro se não ela mata a gente.

Nós rimos e enquanto ela ligava para a Carol eu ia pegando as lingeries e colocando-as em cima da cama.

Carol chegou ao quarto alegremente.

- Até que enfim, Mel! Que bom que você esta bem. – disse me abraçando e quando viu a cama arfou e disse: - E essas lingeries! Vamos, vamos vê-las.

Sentamos na cama e comecei a mostrar as mais básicas. Primeiro um conjunto preto, o era sutiã com bojo e sem as alças e a calcinha era com bolinhas brancas e renda também branca presa em todas as costuras.

Mostrei também dois sutiãs com o bojo recoberto de renda, um era vermelho e o outro branco, e outro sutiã preto somente de renda sem bojo.

Elas amaram um sutiã branco estampado com um monte de palavras - tipo, amor, paquera, beijo – que tinha as alças rosa.

Tinha um conjunto cor-de-pele, o sutiã tinha um bordado de flores também cor-de-pele na borda do bojo e a tanga também era bordada com flores na frente.

Eu tinha até um espartilho para ocasiões especiais!

O espartilho era vermelho recoberto por renda preta. Muito sexy!

E foi esse mesmo espartilho que Isabel pegou com uma expressão maliciosamente desconfiada.

- Mel, para que você tem espartilho deste? – perguntou com a voz também maliciosamente desconfiada.

Nesse momento Carol olha o que Isabel tem nas mãos e adota a mesma expressão.

- Para nada. – disse ingenuamente.

O que não funcionou.

- Ah, Mel! – disse Carol. – Você compra um espartilho vermelho super hiper mega power sexy para nada?! – disse cética.

- Ok, tudo bem. – disse me rendendo. – Ele é para as ocasiões especiais. Mas... – disse assim que Carol começou a abrir a boca. – eu ainda não o usei, por que ainda não houve nenhuma ocasião especial.

- Uhum sei. – disse Isabel com um sorrisinho de canto de boca.

- Hei, é serio! – falei rindo.

- Então por que você está rindo? – perguntou Carol.

- Por que a ideia de eu usar esse espartilho é engraçada até pra mim.

Elas estreitaram os olhos juntas, mas depois sorriram e Carol disse:

- Ok, mas quando você achar a ocasião especial você conta para a gente, tudo bem?

- Sim, sim, tudo bem.

Continuei a mostra para elas as lingeries.

Nós rimos e nos divertimos bastante por um longo tempo.

- Meninas, vamos ao refeitório? – disse Isabel. – Eu não almocei hoje e preciso comer alguma coisa.

- Claro. – eu disse. – Eu também não como há... – pensei por um minuto.

Há quanto tempo eu não comia?

- Eu nem sei por quanto tempo eu fiquei sem comer. – completei.

- Bom, então vamos. – disse Carol.

Saímos do dormitório e fomos para o refeitório. Já era hora do jantar para os dampiros, então o refeitório estava cheio deles. Havia também vampiros, mas eram poucos.

E surpresa, surpresa!

Todo mundo me encarava. Mas eu não abaixei a cabeça.

Andei pelo refeitório como se nada tivesse acontecido. Fui até a fila do buffet peguei a uma comida leve, um copo de suco e fui para a mesa junto com as minhas amigas.

Enquanto eu andava para a mesa, passei pela mesa de Alex, que não comia nada só tinha um copo na sua frente, aquele dampiro dos olhos cor de mel estava lá também junto com mais um monte de caras. Alex me olhos nos olhos sorriu e disse:

- Oi, Mel!

- Ola, Alex. – respondi com um sorriso tímido e segui as meninas que já estavam quase chegando a mesa.

A nossa mesa era retangular com duas cadeiras de cada lado.

Isabel sentou de costa para a mesa de Alex. O que, só para variar, eu não entendi. Ela parecia nunca se cansar de olhá-lo. Carol sentou de frente para Isabel e eu sentei ao lado de Carol.

Enquanto comíamos ficamos em silencio até que Marcelo chegou, sabe Deus de onde, dizendo:

- Mel!

Olhei para cima e vi Bruno e ele vindo em nossa direção. Marcelo com uma bandeja na mão e Bruno só com um copo.

Forcei um sorriso.

- Marcelo... Bruno. – disse cumprimentando-os em voz baixa.

Marcelo sentou na cadeira que sobrava, ao lado de Isabel, e Bruno pegou uma cadeira da outra mesa e sentou conosco.

- Mel, que bom que você saiu daquela enfermaria. – disse Bruno. – não deixavam a gente entrar para ver você.

- Não perderam nada. Estive desacordada todo o tempo.

- Você está bem? – disse Bruno preocupado.

- Sim estou.

- Mel, desculpa perguntar, mas o que você tem? – disse Marcelo cautelosamente.

- Nada. – respondi.

- Nada? – disseram Marcelo e Bruno ao mesmo tempo.

- Sim, nada. – respondi. – A gente pode falar de outra coisa?

- Claro. – disse Bruno.

- Então, primeiro eu quero saber por que a Isabel esta sentada de costa para o Alex? – disse.

Ela me olhou nos olhos por um instante e voltou a desviar o olhar.

Ninguém disse nada. O que podia ter acontecido?

- Anda! Desembucha logo. – disse encarando Isabel.

Ela não falou nada. Virei-me para Carol.

- Então o que aconteceu que eu não sei? – exigi.

Ela também não disse nada.

- Ninguém vai me dizer? – quis saber.

Finalmente Isabel me olhou disse:

- Ele está praticamente namorando a Ester Butzz. – disse em voz baixa e triste.

- Quem é Ester Butzz? – perguntei indignada.

Como ele pode fazer isso com a Isabel? Ok eu sei que eles não tinha nada, mas mesmo assim.

- Aquela garota que está indo em direção a ele agora mesmo. – disse Carol.

Olhei para a direção a Alex e vi uma vampira indo em sua direção sorrindo.

Ela era branca, baixa, magérrima, olhos castanhos, cabelos lisos loiros curtos com uma franja na altura da orelha e luzes castanho-claras. Usava uma blusa rosa, uma calça jeans azul justa - o que não ficava bem com suas pernas finas de mais -, um tênis preto com rosa e uma maquiagem preta.
Primeira conclusão sobre ela? Estranha.

Percebi que Alex não estava muito entusiasmado com a chegada sua nova quase namorada.

- Quase namorando não quer dizer que está namorando. – eu apontei.

,- O negocio é que não é só por que ele esta quase namorando. É por que eles esta quase namorando a Ester. – disse Marcelo.

- E o que tem essa ‘uma’ de especial? – eu disse.

- É que Ester era uma das melhores amigas da Isabel. – disse Carol. – E quando ela soube que Isabel gostava do Alex ela começou a dar em cima dele.

- Mas que filha da p...

- E disse que não ia descansar enquanto não ficasse com ele e que ia fazer questão que a Isabel soubesse. – disse Carol me interrompendo.

- Mas por que ela fez isso? – perguntei.

- Ninguém sabe. Ela começou a dar em cima dele e a espalhar um monte de merdas da Isabel por aí. – disse Bruno.

- No dia seguinte que eu contei para ela que eu gostava dele ela começou a brigar comigo do nada. Disse que nenhum cara em sã consciência no mundo ia querer ficar comigo, que ia me mostrar que era melhor do que eu e esfregar na minha cara que quando ela ficasse com ele. – disse Isabel, sua voz era só um sussurro triste.

- Eu já estou começando a ficar com um ódio mortal dessa garota. – disse estreitando os olhos.

Depois disso o silêncio caiu.

Alguns minutos depois Carol disse:

- Mel?

- Hum? – disse sem levantar o olhar do meu prato.

- Por que o Marco delicia está te encarando? – disse Carol.

- O que? – disse olhando pra ela.

- Por que o Marco delicia está te encarando? – repetiu ela pausadamente.

- Quem é esse? – disse arqueando uma sobrancelha.

- O dampiro mais perfeito do mundo. – disse ela.

- Onde?

- Na mesa junto como Alex. – disse Carol exasperada. – Você está cega, Mel?

Olhei para frente e vi aqueles olhos cor de mel me encarando intensamente.

Desviei o olhar.

- Hum... – disse fingindo desinteresse. – Não sei.

Todo mundo me encarou.

- O que? – disse inocentemente.

- Como assim ‘o que’? – disse Isabel.

- Não estou entendendo.

- Você falou do Marco delicia com total desinteresse. – disse Carol.

- E daí? – perguntei inocentemente.

- É que todas as garotas dessa academia babam por ele. – disse Bruno.

- Ridículo. – disse Marcelo.

- Hei, ele é o Marco delicia. – disse Carol como se isso explicasse tudo.

- Aí delicia é sobrenome? – não resisti, tive que perguntar.

- MEL... – Carol praticamente gritou. E obviamente todo mundo olhou.

Então mais calma disse:

- Delicia não é sobrenome, Mel. Ele é que é uma delicia. Você já viu aquele corpo?

- Oh, sim entendi. – disse com indiferença de novo.

Os meninos viraram os olhos, Isabel riu e Carol me encarou.
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1

Capitulo Quatro

Eu não acreditava no que estava acontecendo!

Não impressão de que o quarto estava mais baixo eu é que estava levitando a mais ou menos 1,5m da cama!

Isso mesmo levitando!

Continuei gritando, desesperada. Tentei volta pra cama mais não consegui, eu não sabia nem como eu consegui essa proeza de levitar! E o que é pior minha cabeça doía mais a cada segundo. Se é que isso fosse possível.

De repente a porta se abriu.

- Mel, o que...? – disse Isabel.

Olhei para a porta e vi Isabel, Sandra, a monitora, e mais um monte de garotas se amontoando na porta aberta, com a expressão de choque extremo.

E do nada minha cabeça parou de doer, e eu caí levemente na cama. Sim levemente. Como se fosse uma pluma caindo sobre uma superfície plana.

- Ok, meninas acabou o espetáculo! Pode todo mundo voltar para os seus quartos. – disse a monitora e virou para mim. – Você esta bem querida?

- Sim. – disse fracamente.

- O que aconteceu? – disse suavemente.

- Eu... eu não sei. Eu estava dormindo e do nada quando eu acordei minha cabeça parecia que ia explodir e... e eu tentei levantar, mas eu já estava no ar e... e eu fiquei aterrorizada e comecei a gritar e de repente, assim com veio a dor passou. – disse numa voz baixa e cansada.

- Tem certeza que não esta sentindo dor nenhuma? – disse ela com uma voz preocupada.

- Sim, só estou um pouco cansada.

- Bom mesmo assim acho melhor te levar até a enfermaria.

- Não precisa. Eu só estou um pouco cansada. Não está doendo. – disse. – Eu só preciso descansar, amanhã eu estarei bem melhor.

Ela me mediu durante um momento. Então suspirou e disse:

- Ok. Mas você, por favor, vá a enfermaria se sentir alguma coisa. Eu falarei com a diretora. Ela deve ligar para o senhor Lisli.

- Ok. Muito obrigado senhora Sandra.

- De nada, querida! – dizendo isso ela saiu e fechou a porta.

Logo depois que ela saiu eu voltei a dormir. Mas desta vez sem sonhos.

No outro dia eu acordei como se nada tivesse acontecido. Nenhum vestígio da dor. O único detalhe era que eu estava super atrasada!

Tomei um banho correndo. Enquanto eu vestia o uniforme coloquei um copo de sangue para esquentar.

Assim que eu terminei de me vesti tomei o sangue, escovei os dentes fiz uma maquiagem bem básica, pendi o cabelo em um rabo-de-cavalo calcei minhas sapatilhas, peguei minha mochila, cortei a respiração, para não ofegar, e sai correndo.

Quando eu cheguei, a sala de aula já estava cheia e o professor já estava lá também.

Pedi licença e entrei. Todos me olhavam. Pelo visto todo mundo já sabia do meu pequeno showzinho de ontem a noite.

Que ótimo! Agora ia ficar todo mundo me olhando com se eu fosse um rato de laboratório.

Fui em direção a mesa que eu tinha sentado no dia anterior calmamente. Foi então que eu vi um par de olhos cor de mel me encarando.

Ahãn? Como assim? Ele esteve ali ontem a aula inteira e eu não o vi?!

Desviei o olhar e me afundei na minha cadeira.

Não prestei nem um pingo de atenção na aula. Minha cabeça estava fervendo de tantas perguntas.

O que aconteceu? Por que a minha cabeça tinha doído tanto? E o mais importante, como eu consegui levitar daquele jeito?

Perguntas, perguntas e mais perguntas, mas nada de respostas.

Frustração. Esse era o sentimento dominante em mim no momento.

Quando o sinal tocou eu fui a primeira a sair. Eu praticamente saí correndo.

Já estava no meio do caminho quando ele me chamou.

- Mel!

Olhei pra trás e vi Alex se aproximando de mim e junto com ele estava o dampiro dos olhos cor de mel, que alias, até agora eu não sei o nome dele. Mas enfim, não era hora para apresentações e precisava ir.

- Depois a gente se fala Alex. – disse e voltei a correr.

Fui a primeira a chegar na aula de magia elementar e a professora Catherine parecia que estava me esperando, por que quando eu cheguei ela disse:

- Senhorita Lisli, venha comigo até a secretaria, por favor.

Chegamos a secretaria e tinha duas pessoas alem da diretora Carmem. Um dampiro e uma vampira.

O dampiro era o senhor Mark, professor de defesa pessoal, nunca tinha reparado nele para dizer a verdade. Mas ele era alto, forte, musculoso, pele morena olhos azul-claro, cabelo preto curto, e estava vestindo uma calça jeans e uma camisa social azul de meia manga.

A vampira era baixa, pele branca, cabelos loiros cacheados na altura dos ombros, olhos castanhos, e estava vestida com um vestido preto básico.

- Quando Sandra me falou o que aconteceu ontem a noite, resolvi chamar o professor Scabio e a professora Karla Marques, para que possamos conversar sobre o ocorrido. E Spittle, já que ela é sua professora de magia elementar. – disse Carmem assim que eu entrei. – Sente-se querida. Já mandei avisar o senhor Lisli.

- Está bem. – disse me sentando.

Eu estava meio que em choque. Não esperava isso.

- Poderia nos dizer o que ocorreu exatamente ontem, senhorita Lisli? – perguntou Karla.

- Melany. Chame-me de Melany ou Mel, por favor.

- Como quiser Melany. – disse Karla gentilmente.

- Então o que aconteceu? – perguntou Mark. – Como você passou o dia?

- Eu... er... bem. Eu passei o dia bem.

- Você sentiu algo diferente? – perguntou Catherine.

- Bom eu me senti um pouco cansada, sabe? Não fisicamente e sim mentalmente. Depois da aula de hipismo eu fui direto para o meu quarto cai na cama e apaguei. Aí quando eu acordei minha cabeça parecia que ia explodir e quando fui apoiar a mão na cama pra levantar já não estava mais na cama. Minha cabeça doía mais a cada segundo que passava, mas aí depois a dor passou, como se eu não tivesse sentido absolutamente nada.

- Você é usuária de ar. – disse Karla.

- Sou?

- É. – disse ela. – É a única explicação. Apesar de que somente usuários de ar muito antigos e poderosos podem fazer esse tipo de coisa. – ela pensou durante um momento e logo disse: – Quantos anos você tem?

- Cinquenta e cinco. – disse.

- Só? – perguntou incrédula.

- Sim.

O silencio caiu.

Todos ficaram me olhando. E eu me senti exatamente como um ratinho de laboratório.

Queria sair correndo dali e ligar para Daniel vir me buscar.

- Você é poderosa Melany. – disse Karla quebrando o silencio. - Com a sua idade você não deveria consegui fazer esse tipo de coisa.

Obrigado pela parte que me toca. – pensei ironicamente.

- E quais as consequências disso? – perguntei séria.

- Você vai ter que treinar para dominar esse poder e não só com a mente. Seu corpo também precisa ser trabalhado e ficar mais forte para poder conseguir lidar com as possíveis consequências que esse poder pode trazer a ele.

- Então fica decidido o seguinte: a senhorita Lisli terá aulas especiais com a professora Karla e fará treinamentos extras para fortalecer o corpo. – disse a diretora.

- Eu vou pedir um dos meus melhores alunos para ajudá-la com os treinamentos extras. – disse Mark.

- De acordo senhorita Lisli? – pergunto Carmem.

- Sim. – respondi.

Como se eu tivesse alguma escolha.

Quando saí da secretaria, pulei a aula de literatura e fui direto para o vestiário me trocar para a aula de defesa pessoal.

Fantástico! Agora mesmo é que o Mark vai pegar no meu pé.

Entrei no ginásio e só pra variar a turma inteira estava me encarando. E entre eles vi aquele par der olhos cor de mel.

Mas que merda! Será que ele estava em todas as minhas aulas e eu não tinha reparado?

Fui direto falar com Mark. Ele estava com um grupo de uns cinco alunos conversando sobre sei lá o que.

- Senhor Scabio?

- Sim. – disse virando-se para mim. – Oh, senhorita Lisli...

- Melany, me chame de Melany, por favor.

- Ok, Melany. Bom hoje você vai trabalhar com musculação.

Ele foi andando até a área de musculação e eu o segui. Podia ver todos fingindo não me olhar.

O que será que eles estavam pensando? Será que eles pesavam que eu era uma vampira ‘super’ que conseguia levitar ou uma vampira patética que grita igual uma louca só porque levita?

Bom, de qualquer jeito eu tinha que aprender a controlar logo o ar. Não queria mais sentir como se minha cabeça fosse explodir toda vez que eu usasse meu elemento.

Suspirei.

- Você vai correr trinta minutos na esteira e fazer trinta minutos de levantamento de peso. – disse ele. – Eu vou estar com o resto da turma. Se precisar de alguma coisa é só me chamar.

Nossa! Como estamos delicados e prestativos hoje.

- Ok. Obrigado. – disse.

- Não tem de que.

Ele voltou para a área de aula e fui para a esteira. Será que eu ia fazer isso todas as aulas? Se fosse estava ótimo. Melhor do que combate corpo a corpo com todo mundo me encarando.

Comecei a correr.

Enquanto corria me ocorreu que eu ainda não tinha falado com Daniel. Ele deveria estar muito preocupado comigo. Eu estava muito preocupada comigo. Depois da aula eu ia ligar para ele.

Do nada, no meio da corrida, meu de vontade de cantar e tocar meu violão. Mas como meu violão não estava aqui, decidi só cantarola.

Eu gostava muito de musica, principalmente musica brasileira. Na verdade eu gostava de todo tipo de musica e não conseguia viver sem ela.

Eu estava tão distraída correndo de olhos fechados e cantarolando que quando Alex falou comigo eu literalmente dei um pulo de quase dois metros... Ok dois metros talvez seja exagero, mas você captou a mensagem.

- Hei, Mel... Calma!

- Você quer me matar do coração?

Ele riu. Riu até eu me da conta do que eu tinha falado.

- Como se vampiros pudessem morrer do coração. – disse ele e continuo rindo.

Dei um tapa nele.

- Você entendeu o que eu quis dizer.

- Sim, sim entendi. – disse e continuou rindo.

Olhei para ele de cara feia.

Ele parou de rir abruptamente e me encarou sério.

- Desculpe, não queria aborrecer a usuária de ar mais poderosa da academia.

- O que?

Agora eu estava confusa.

Como assim eu era a usuária de ar mais poderosa da academia?

- Ah, qual é Mel? Você levita!

- Grande coisa.

- Mel...

- Alex. – gripou Mark. – Deixe Melany treinar e volte para aula.

- Depois a gente conversa. – disse saindo.

Terminei o meu treinamento e fui para o vestiário me trocar.

Não estava com fome, então ao invés de ir para o refeitório decidi ir para o meu quarto ligar para o Daniel.

Saindo do vestiário encontrei Alex me esperando.

- Mel a gente pode conversar agora? – disse ele.

- Pode, mas eu não vou para o refeitório vou pro meu quarto.

- Não esta com fome?

- Não e eu preciso falar com meu pai.

- Seu pai? – perguntou elevando uma sobrancelha.

- É como eu chamo Daniel.

- Ah, ta. Então eu vou com você.

- Vai?

- Vou. Por que algum problema?

- Não, é só que... – eu disse sem jeito. O que as pessoas iam pensar se ele fosse pro meu quarto sozinho comigo? Pior o que Isabel ia pensar?

- Mel... – disse ele meio sem jeito também. – Você sabe que nos somos só amigos, não é?

- Claro!

O que ele estava pensando? Que eu estava afim dele? Ok é bem possível que ele pensasse já que todas as garotas dessa academia parecessem cair aos seus pés. É ele passar e elas babarem. O que me deixou pensando... Será que com aquele lindo dampiro dos olhos cor de mel também era assim?

Claro que era. O que eu estava pensando? Ele era mais que perfeito. Todas as garotas devem suspirar por ele.

Suspirei.

Ah, não até eu?

- Então o que tem eu ir no seu quarto? – disse Alex me tirando dos meus pensamentos.

- E que...

Não consegui terminar.

Do nada, minha cabeça começou a queimar, meus músculos a arderem e eu quase podia sentir minha pele quente, como se estivesse com febre. Isso é claro se não fosse pelo fato de que vampiros não têm febre.

Coloquei as mãos na cabeça numa tentativa inútil de fazer a dor parar. Abri os olhos e vi Alex me olhando com cara de espanto.

Cai de joelhos no chão de piso ainda com as mãos na cabeça. Então tudo começou a rodar. Fui vagamente consciente de Alex chamando o meu nome e de mais pessoas se aproximando. Mas aí eu já não podia ver nada. Afundei na escuridão.
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2

Capitulo Três

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010.
Quando chegamos ao meu quarto eles viram a situação de caos total. Vi em a mesma expressão de choque em todos. Eu podia até imaginar o que eles estavam pensando:

“Como uma pessoa pode ter tanta coisa?!”

Sorri envergonhada.

- Hum... Pessoal se vocês não qui...

- Wow! – disse Bruno me interrompendo. – É melhor nós começarmos logo se quisermos sair daqui ainda hoje.

Todos riram.

- Então mãos a massa. – disse Marcelo indo em direção a primeira caixa.

Começamos a arrumar o quarto.

Primeiro esvaziamos as caixas e malas. E depois arrumando tudo.

Cerca de duas horas e meia depois estava quase tudo arrumado, só faltava uma mala de tamanho considerável para esvaziar.

Quando Bruno começou a abrir a mala eu disse:

- Não! – esta bem, quase gritei. – Essa pode deixar que depois eu arrumo. – disse mais controlada.

- Por que não arrumamos tudo agora? – ele disse franzindo o cenho.

- Por que aí só tem coisa de mulher e eu prefiro arrumar sozinha. – disse.

Eu podia sentir minhas bochechas quentes. Mas as dos meninos estavam de um vermelho vivo.

- É... Sim então é melhor você mesma arrumar sozinha. – disse Bruno.

- O que tem ali dentro? – perguntou Carol com uma sobrancelha levemente arqueada.

- Lingerie.

- E...? – disse Isabel.

- Só lingerie.

- O que? – disse Carol arregalando os olhos, tamanho o espanto.

- Lingerie. – disse mega envergonhada.

Elas me olharam com os olhos arregalados pela surpresa, mas logo ficaram curiosas.

- Então você vai ter que nos mostrar qualquer dia desse, ok? – disse Carol.

- Ok. – respondi.

Então me lembrei que não tinha visto uma coisa em particular enquanto arrumava o quarto. Comecei a andar pelo quarto de um lado para o outro procurando em todos os lugares. E não achei. Fiquei frustrada. Como eu me esqueci de algo tão importante?

Olhei para os meus amigos e eles me olhavam com curiosidade.

- Mel, o que você tanto procura? – perguntou Isabel.

- Meu violão. – disse. – Não está aqui.

- Congela aí. Você toca violão? – perguntou Carol.

- Sim. Não vivo sem música. – disse triste.

Mas que merda! Como eu ia ficar sem meu violão? Como pude esquecer-me de trazê-lo? Normalmente é a primeira coisa que eu pego quando vou viajar ou quando eu e Daniel nos mudamos. Eu deveria estar pensando muito em como não ir para a academia e não me lembrei do meu velho companheiro.

Suspirei. Mas então sorri. Depois eu ligaria para o Daniel e ele mandaria o violão pra mim. Simples! Sem motivos pra ficar triste e fazer meus novos velhos amigos de infância tristes também.

- Chega de tristeza gente! Vamos Brindar? Afinal, todos sobreviveram à aventura de transformar aquele caos total em um quarto decente. – disse rindo.

Todos riram comigo.

- Vamos brindar! – disse Marcelo.

- Sim, sim vamos brindar. – disse Bruno sorridente como sempre.

Fui até o frigo-bar, pequei as bolsas de sangue e refrigerante, enchi quatro copos com o sangue e um com refrigerante e coloquei os de sangue no micro-ondas por aproximadamente um minuto. Tirei-os e brindamos.

- A Melany! – disse Marcelo.

- A organização do quarto! – disse Carol.

- A nossa amizade! – disse Bruno.

E então brindamos e rimos.

Depois que eles foram embora eu liguei para o Daniel. Logo no primeiro toque ele atendeu.

- Alo? – disse ele.

- Pai?

- Mel! – disse com uma voz entusiasmada.

- Oi. – disse simplesmente.

- O que houve? – agora sua voz estava preocupada. Eu pude até ver as suas negras sobrancelhas se juntando.

- Eu esqueci meu violão. – disse. – Manda ele pra mim?

- Claro, filha! – disse aliviado.

- Obrigada!

- Como é que foi o primeiro dia na academia?

Comecei a contar pra ele tudo o que aconteceu muito entusiasmada. Só omiti o detalhe do dampiro mais perfeito do mundo. Não queria que Daniel pensasse que magicamente eu ia achar o amor da minha existência nem nada disso.

Depois de mais de meia hora no telefone, finalmente Daniel desligou e eu pude tomar um banho. Depois coloquei uma camisola e fui dormir.

Quando acordei no outro dia tomei banho e vesti meu uniforme. Sim uniforme, que coisa mais sem graça, não é?

O uniforme era estilo normalista, sabe? Saia de pregas vermelha e blusa social branca. Básico.

Calcei minha sapatilha preta peguei minha mochila lilás e sai do quarto olhando meu horário pra ver qual seria minha primeira aula.

Primeiro tempo:
Língua Alemã – prof. Fernando Soares

Segundo tempo:
Magia Elementar – profa. Catherine Spittle

Terceiro tempo:
Literatura – profa. Elissa Magroski

Quarto tempo:
Defesa Pessoal - prof. Mark Scabio

Almoço.

Quinto tempo:
Filosofia – prof. Andeas Sutter

Sexto tempo:
Língua Portuguesa – profa. Esme Louvain

Sétimo tempo: (opcional)
Dança – profa: Pietra Lesco
Poema – prof. Yevo Casting
Teatro – prof. Jeff Hunter

Oitavo tempo:
Hipismo – prof. Anthony Peterson

Arg! Isso ia ser complicado! Ah, um pequeno detalhe, eu não sabia aonde eram dadas as aulas. Fantástico!

Eu ia ter que procurar.

Suspirei.   

- Com o tempo você se acostuma.

Olhei para o lado e vi Isabel saindo do seu quarto. Nem tinha percebido que ela estava se aproximando.

Ela sorriu e saiu me arrastando.

- Vem, Mel. Vamos nos encontrar com os outros para irmos juntos para a aula. A propósito qual é a sua primeira aula?

- Alemão.

Ela parou.

- Alemão? – ela perguntou com o cenho franzido.

- Sim, por quê? – disse. Já estava ficando preocupada. O que havia de errado com alemão?

- Nada, é só que normalmente a gente faz inglês ou espanhol.

- Ah, eu já falo inglês e espanhol.

- Já? – pergunto Isabel com a expressão meio confusa.

- Já.

Ela deu de ombros e me arrastou pela academia até encontrarmos Bruno, Marcelo e Carol. Depois me levou para o anexo três onde ela disse que era minha primeira aula. Depois que me deixou na porta da sala foi embora com os outros.

Entrei na sala.

A sala era de tamanho proporcional ao numero de alunos. Que contando comigo eram vinte. As paredes eram de cor creme, as mesas e cadeiras eram da mesma madeira preta que a porta. Na verdade eu acho que tudo que é de madeira aqui é feito com a essa madeira preta, que, alias, eu não sei o nome.

Ah, uma sala inteira de completos desconhecidos e ainda por cima em uma aula de alemão.

Isso ia ser um desastre!

Sim, às vezes eu sou pessimista.

O professor entrou na sala saudando a turma. Ou pelo menos foi o que eu achei, já que eu não entendi absolutamente nada.

Eu afundei na minha cadeira no canto direito ao fundo da sala.

Suspirei.

- To ferrada. – murmurei baixinho levando as mãos ao rosto. 

- Você não deveria estar fazendo inglês ou espanhol? – perguntou uma voz masculina baixa.

Olhei para o lado e vi um cara de cabelos loiros e curtos, com olhos verde jade, pele branca, com as bochechas proeminentes e traços masculinos no rosto. Não dava pra saber se ele era alto ou baixo já que ele estava sentado, mas eu tinha a leve impressão de que ele não baixinho não. E estava vestido com o mesmo uniforme que eu. Mas, é claro, não usava saia e sim uma calça.

Ele era bonito. Certo, ele era lindo. E era um dos que estavam com aquele dampiro perfeito, no refeitório.

Ah, ele era um vampiro.

- Oh! No meu horário está alemão e eu já falo inglês e espanhol. – disse.

Ele me encarou por alguns segundo, me olhando dos pés a cabeça e disse sorrindo levemente:

- Eu sou Alex.

- Melany.

- Eu sei. – ele disse e seu sorriso aumentou.

- Ahãn?

Agora eu estava confusa. Como ele sabia o meu nome?

- Você está sendo esperada por toda a academia, Melany. Todo mundo aqui te conhece.

Agora eu já não estava mais confusa. Eu estava aterrorizada.

Pude sentir meus olhos se arregalando. Como assim eu estava sendo esperada? Como assim todo mundo me conhecia?

Meus olhos realmente devem ter se arregalado, pois Alex sufocou uma risada. O que fez o professor olhar pra nós com uma expressão carrancuda. Ele falou alguma coisa em alemão e Alex respondeu também em alemão.

Conclusão: não entendi nada.

Alex me olhou e disse:

- Você não gosta de saber que todo mundo te conhece? Você deve estar acostumada que todos a conheçam.

- Não gosto de saber que todo mundo me conhece e não estou acostumada que todos me conheçam. – disse com semicerrando os olhos.

Agora ele foi quem ficou confuso.

- Não gosta? – perguntou incrédulo.

- Não. – respondi.

- Todas as garotas gostam de saber que todos a conhecem. – ele disse isso como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

- Eu não sou como todas as outras garotas. – disse. – E você não deveria generalizar.

- Todas as garotas que eu conheço são assim. – ele disse.

- Então você deveria conhecer outras garotas. - dizendo isso me virei para prestar atenção à aula.

Ele não disse mais nada, mas eu podia sentir o seu olhar sobre mim.

As aulas de Magia Elementar e Literatura passaram rápido.

Magia elementar foi... constrangedor.

Eu era a única que ainda não tinha se especializado, apesar de que ninguém na turma dominava seu elemento. Embora a professora Catherine me dissesse a cada cinco minutos pra não me preocupar e que eu ia me especializar eu estava desolada. Ah, fora o detalhe de ser uma turma de vampiros e dampiros mais novos do que eu.

Eu estava quase entrando em depressão quando saí da sala e fui para a aula de literatura. 

Ok, ok, talvez eu esteja exagerando um pouquinho na parte da depressão... Está bem, eu estava exagerando muito.

Literatura foi fácil. Mas o fato de Daniel já ter me dado aulas de literatura antes também pesava bastante. 
 
Saí da sala de literatura e fui para o vestiário me trocar para a aula de defesa pessoal.

Essa também ia ser difícil. Eu era um zero à esquerda quando se tratava de luta corpo a corpo.

Saí do vestiário e fui para o ginásio.

O ginásio era realmente grande. Com janelas altas, paredes brancas e muitos colchonetes azuis. Era dividido em uma área para de musculação e área de treinamento em grupo.

Olhei para os outros dezenove alunos na sala e percebi que aquele vampiro da aula de alemão, Alex, estava lá.

Isso ia ser vergonhoso.

O professor Mark nos mandou formar filas indianas, um atrás do outro sabe? E nos mandou executar alguns movimentos muito simples como ele disse. Depois de uns trinta minutos desses movimentos “muito simples” eu já estava ofegando.

Eu realmente era um desastre!

Não conseguia fazer nada direito, ao contrario dos outros que faziam movimentos perfeitos. E então eu percebi que essa era uma classe de alunos mais velhos.

Mark até que era legal. Isso antes dele dizer:

- Senhorita Lisli, você já tem idade suficiente para fazer essas atividades com uma qualidade muito maior. Vai precisar treinar muito pra consegui acompanhar a turma. É melhor você se esforçar mais.

Eu estava pronta para o mandar ir a merda e dizer que eu estava indo muito bem pra alguém que nunca fez isso antes, mas ele me cortou dizendo:

- Alguém, por favor, ajude-a?

- Eu a ajudo. – disse Alex.

Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

- Está bem. – disse Mark saindo.

Virei-me para Alex.

- Você...

- Vamos, vou te ajudar. – disse ele me interrompendo. 

Como não tinha nenhuma alternativa eu fui.

Eu acabei descobrindo que Alex era um cara super legal. E ele realmente me ajudou muito. Não era como se eu fosse ficar 100% em uma aula, mas eu já estava ‘menos pior’.

Quando acabou a aula eu fui pro vestiário trocar de roupa. Era hora do intervalo. 

Quando saí do vestiário Alex estava me esperando. Ele fez questão de levar minha mochila. Um cavalheiro!

Chegamos ao refeitório e eu estava rindo, mas rindo mesmo. Alex era muito engraçado. Fiquei pensando que seria super ter ele e Bruno no mesmo grupo. Mas acho que Alex só anda com o grupinho popular dele. O que era uma pena.

Enquanto estávamos andando pelo refeitório achei os meus amigos.

Então Alex disse:

- Bom, acho que agora cada um vai para o seu lado. Te vejo depois Mel. Tchau.

- Tchau.

Cheguei à mesa e Isabel me olhava com pura fúria no olhar.

Não entendi nada! O que foi que eu fiz?!

- O que aconteceu Bel?

- Você já esta se jogando pra cima do Alex também?

- O que?

- E isso aí mesmo que você ouviu. Ele estava até carregando a sua mochila.

- Bel, eu não estou dando em cima de ninguém.

- Ah, ta. Então por que você chegou junto com ele?

- Por que eu tive aula de defesa pessoal junto com ele e ele me ajudou.

- E porque você estava cheia de sorrisinhos pra ele?

- Não estava de sorrisinhos pra ele. Eu estava rindo por que ele é engraçado. Só isso.

Ela me olhou como se estivesse decidindo se estava mentido ou não. E então suspirou e disse:

- Desculpa. É que todo mundo sabe que eu gosto dele e mesmo não tendo nada com ele eu fico cheia de ciúmes quando alguma garota chega perto, ainda mais uma garota tão linda como você.

O clima ficou pesado, mas depois de uns instantes de silencio bruno fez uma piada e todos nós rimos...

Conversamos um pouco até que o sinal tocou.

Antes de todos irmos para as salas Carol disse:

- Mel, você já decidiu o que vai fazer no sétimo tempo?

- Faz teatro comigo? – disse Isabel.

- Desculpa amiga, mas não sou uma boa atriz. Eu vou fazer dança.

- Vamos. – disse Marcelo. – Senão vamos chegar atrasados.

- Tchau gente. – disse eu.   

- Tchau. – responderam.

As aulas de filosofia, língua portuguesa, dançam e hipismo voram.

Filosofia e língua portuguesa foram mega fáceis.

Dança também foi super fácil. A professora Pietra era magnífica.

Hipismo foi um pouco mais difícil, mas o professor Antony era um excelente professor.

Quando acabaram as aulas, eu estava cansada. Não fisicamente é claro, mas mentalmente eu estava um bagaço. Decidi ir para o quarto descansar um pouco.

Cheguei ao quarto tomei um banho, deitei na cama e apaguei.

Eu estava sonhando com ele. Aqueles olhos cor de mel, aquele sorriso maravilhoso, aquela pele morena, aquele corpo músculo que emanava poder e força vindo em minha direção com um andar sexy.

Ele estava exatamente como o vi pela primeira vez. E eu estava sorrindo bobamente pra ele.

De repente o sonho se transformou em pesadelo.

Aqueles olhos mel viraram dois olhos tão negros como à meia-noite. Aquele sorriso maravilhoso virou uma fileira de dentes grandes, afiados e absurdamente assustadores. Aquele corpo musculoso e que emanava poder e força virou um corpo peludo, com pelos marrons que emanava terror absoluto. E aquele andar sexy virou uma corrida agressiva.

Então eu o reconheci. Era o lobisomem que tinha me atacado no dia da minha transformação.

Eu acordei.

Minhas mãos suavam e meu corpo tremia. Mas esses eram “sintomas normais” para esse pesadelo. O que realmente me assustou foi a dor na minha cabeça.

Minha cabeça doía tanto que quando eu abri os olhos tive a nítida impressão de que o quarto estava mais baixo.

Fui apoiar as mãos na cama para levantar e encontrei... nada.

Que estranho!

Olhei para baixo.

Arfei, entrei em desespero e depois gritei, mas gritei mesmo. Gritei tanto que com o eco no quarto fechado o barulho era ensurdecedor.
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